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29.1.11

módulo II - cerâmica - projecto - último dia



 apresentação do conceito - Desconhecido

“Estou estropiada.
Estou em farrapos nesta caixa que me isola.
Não há som, não há imagem, não há frio, não há tempo.
Quis deixar o meu usual, quis o desconhecido. Mas há consequências.
E eu parti-me, cada pedaço do meu passado caiu e partiu. Rachou.
Só me restou reconstruir-me a partir do nada que agora é o meu sítio.
O sítio das coisas escuras, o sítio que me traz uma luz que sorri.
Adeus passado, olá desconhecido.”

6.1.11

mundos compostos

 APRESENTAÇÃO FINAL

a)     plano da acção

Sentada sobre um plástico negro grande, sempre de olhos fechados, proferi o seguinte texto:

“Estou estropiada.
Estou em farrapos nesta caixa que me isola.
Não há som, não há imagem, não há frio, não há tempo.
Quis deixar o meu usual, quis o desconhecido. Mas há consequências.
E eu parti-me, cada pedaço do meu passado caiu e partiu. Rachou.
Só me restou reconstruir-me a partir do nada que agora é o meu sítio.
O sítio das coisas escuras, o sítio que me traz uma luz que sorri.
Adeus passado, olá desconhecido.”

À medida que ia fazendo este discurso, completamente vestida de negro e de lábios pintados de vermelho vivo ia fazendo gestos que acompanhavam esta ‘acção falada’.

Após ter dito “Estou em farrapos nesta caixa que me isola” lancei papeis negros disformes para o ar como símbolo de uma destruição aguçada e dolorosa. Por dentro.

Tapei os ouvidos a “Não há som”, num símbolo de conforto; coloquei uma venda negra a “não há imagem”, como se deixasse descansar verdadeiramente os olhos uma vez na vida; passei as mãos pelos os braços a “não há frio”, numa forma figurativa de liberdade; lentamente juntei as palmas das mãos a “não há tempo” pois o tempo é algo desconhecido que não controlamos mas vivemos.

No final, acenei vagamente em “Adeus passado” e depois puxei a palma da mão para o peito e disse “olá desconhecido”, agora vivo o desconhecido, esquecendo o passado e as tristezas que me provocaram.





 b)     adereços

  • cartolina negra cortada aleatóriamente.
      -simboliza o meu ‘eu’ despedaçado, destruído.

  • gorro negro utilizado como saco.
      -simboliza o infinito de onde vem tudo o que sinto e não sinto.

  • venda negra.
      -simboliza a visão em descanso, é o alívio.


Utilizei os seguintes adereços para dar mais ênfase à apresentação e como resumi por baixo de cada um, tinham todos um simbolismo relacionado com diferentes pontos, mais abstractos ou mais concretos, do meu conceito.




c)figurinos

  • camisola preta, leggins pretas, meias pretas.
      -simboliza o desconhecido que eu própria sou e procuro.

  • lábios vermelho-vivo.
      -simboliza um rasgo de luz, esperança de me encontrar.

  • cabelo todo apanhado.
      -simboliza os sentimentos/pensamentos reprimidos, que apanhados, um a um, estam apertados e comprimidos contra a cabeça em agonia.


     Apesar de terem uma intenção semelhante ao ponto anterior, estes têm mais a ver com a pessoa em si, são coisas mais pessoais: o desconhecimento individual, a esperança de alguém, a procura de si mesmo, a repressão de todo o sentir mental.




c)     elementos cénicos

·      maquete.
      - simboliza a caixa que me isola, mas num ponto mais pequeno e mais abstracto.

·      saco de plástico negro
      - simboliza o abismo por baixo de mim no qual eu não vou cair, fico por cima, no limite frágil, mas a força de vontade faz-me permancer fora desse abismo.


     Estes dois elementos têm simbolismos de carácter físico, mas muito mais abstracto. Um é a representação de todo o meu mundo, na sua pequena fragilidade enquanto outro e o mundo no qual não quero pertencer, no qual não quero cair embora esteja muito próxima dele.




d)     maquete


NÃO-LITERAL
·       SUBCONSCIENTE
      -pensar sem racicionar
      -sem limites
      -infinito-e-mais-além

·       MUNDO SURREAL E ABSTRACTO
      -textura delicada e eclética
      -leque de cores:
                  .pretos
                  .amarelos
                  .vermelhos
                  .roxos

·       MANCHAS
       -disformes
       -achatadas
       -moldadas umas às outras
       -moldadas ao próprio distanciamento

·       LIBERTAÇÃO DO NÚCLEO
       -tornando-se mais:
                  .redondas
                  .límpidas
                  .brancas

aí partem. recomeçam. reconstroiem.

 

















 

LITERAL
·       EXTERIOR
      -cartão pintado com tinta acrílica preta
(caixa que isola)

      -cordas a envolver a caixa
(aprisionamento do desconhecido)

      -triângulo recortado no fundo da ‘gruta’
(olho a procurar a entrada para o desconhecido)


·       ‘MEIO TERMO’
      -faixa rectangular de cartolina
(infinidade do desconhecido)


·       INTERIOR
      -fios
(delicadeza, suavidade, tranquilidade)

      -pedaços de tecido, papel na cores do abstracto
(manchas disformes, fragmentos do pensamento)

-bola de papel com pinceladas de tinta acrílica preta e coberta de papel celofan vermelho
(eu perdida e com o passado ainda a envolver-me no centro daquele abstracto)






o desconhecido é um circo

vai ao forno

REALIZAÇÃO

a)relatório da aula práctica

PASTAS CERÂMICAS:
O chamote é barro cozido em areia que misturado com outra pasta aumenta a sua resistência e temperatura.

  • baixa temperatura(até 1000ºC)
      -barro(com mais ou menos óxido de ferro, fica mais ou menos vermelho);
      -barro branco ou faiança(som choco, frágil, estala, ganhas manchas, quando raspada sai pó);
      -argila(tipo especial de barro).

  • alta temperatura
      -grês e refractários;
      -porcelana(é mais resistente que a faiança e quando riscada com uma faca fina fica o cinzento na porcelana, é de temperatura mais elevada do que a grês e os refractários);


FERRAMENTAS:
  • função de corte: serrilha, faca, garrote;
  • dois teques: um de escavar e outro de moldar que substitui os dedos;
  • réguas de madeira(toldam o barro variando a sua espessura);
  • lambugem(é uma cola feita de barro muito húmido que serve para juntar pedaços de barro);
  • rolo de massa(serve para fazer lastras);
  • rim(uniformiza as superfícies).



TÉCNICAS DE MODELAÇÃO(servem para todas as pastas cerâmicas): 

·       Bola – consiste na modelagem do barro numa bola fazendo pressão com os dedos, empurrando para o interior o polegar para então estreitar as paredes, vai-se puxando o barro para cima para não ficar no fundo.

 
 





·       Lastra – com o rolo esmaga-se a pasta entre as réguas, rodando sempre a pasta para não colar. Coloca-se a régua sobre a pasta e corta-se a lastra, em seguida sobrepõem-se as placas e cortam-se de modo igual então montam-se as placas e cola-se com lambugem as placas com incisões. Faz-se pressão sobre as placas para colarem bem.














·       Rolos – é uma boa técnica para se fazer peças orgânicas não geométricas. Inicia-se com a divisão do barro em pedaços menores, em seguida roda-se com a palma da mão fazendo um rolo, faz-se espalmamento com os dedos. Procede-se à realização da base passando com o rolo na pasta em lastra e corte em forma de rim, fazem-se incisões em volta do rebordo da base e coloca-se lambugem neste, fazendo-se pressão do rolo na base e enrolando na forma, coloca-se lambugem para outro rolo e assim sucessivamente.



 













·       Vazamento – amassamento da peça seguido de corte com o garrote no meio. Separa-se as duas metades, marcando-se com a serrilha conforme a linha de afastamento exterior. Com o teque de escavar retira-se esta parte e faz-se o aperfeiçoamento com o outro teque. Fazendo incisões em volta, coloca-se a lambugem. Realizam-se incisões fundas com o teque de moldar e coloca-se lambugem para os rolos em cada incisão. Com a serrilha procede-se ao alisamento da superfície.















  
SECAGEM: devido à elevada humidade o período de secagem é demorado, podendo levar semanas. Quando se toca e desfaz em pó, coloca-se no forno e inicia-se uma secagem de 50ºC a cada hora, com intervalos de duas horas e aumento de 50ºC até aos 300/400ºC. Nas pastas de alta temperatura há um aumento de cerca de 70ºC.(Patamares de Secagem)

COZEDURA:
  • A chacota é o barro cozido, é 10% menor que a peça húmida, no caso da porcelana 20%.
  • Com as pastas cerâmicas de alta temperatura a cozedura pode atingir temperaturas até aos 1400ºC.
  • Com as de baixa temperatura só pode atingir até aos 1000ºC.
  • A cozedura pode demorar mais de dez horas.
  • Os vidrados diferem entre as pastas cerâmicas de baixa e alta temperatura, porcelana e grês.
  • As peças só podem ser retiradas após o arrefecimento do forno caso contrário as peças estalam.



 
b) ensaios em plasticina






‘a gruta’ simboliza o esconder de um medo para o desconhecido, um buraco no fundo do túnel.





‘a contorção’ simboliza o enrolar do pensamento numa procura pelo núcleo mental.





‘os buracos’ simboliza o estar fragilizado e ter alguém que nos abrace.





‘o poço’ simboliza a escuridão do próprio pensamento e a confusão que está gravada na sua própria pele.
  




‘a destruição’ representa a fragmentação a procurar recomeçar.








‘a torre’ representa a tentativa de alcance de algo sempre mais alto, atingindo uma instabilidade.





 ‘o embrião’ representa o início de tudo.





‘o tronco’ representa a confusão mental e a dúvida.











c) execução da peça





 



d) animação da construção e da desconstrução da peça


O meu objectivo através do filme era transmitir uma sensação de confusão, de dúvida. A minha forma é uma procura pelo interior, pela paz de espírito, pela tranquilidade que o desconhecido emana. No entanto há dúvida e esta é representada como lastras desconstroladas que se interlaçam entre si numa tentativa de alcançar o núcleo.
A música era muito bizarra mas captava a atenção duma maneira quase hipnótica. O seu ritmo também era contagiante e marcava um compasso de ansiedade, o que eu procurava. Além disto, ao longo da construção deste trabalho estava sempre com esta música na cabeça e assim influenciou muito tudo o que fiz.
     A desconstrução foi indispensávlel, pois marcou sem dúvida todo o filme. O enrolar destas serpentes sobre si mesmas e a fugirem do antigo núcleo, enrolado, pequeno e falso para um novo ovo, o que verdadeiramente procuravam à já muito tempo. No entanto, ainda há uma desconstrução final do núcleo falso. vai diminuindo de tamanho até finalmente desaparecer. Aqui queria mostrar que para mudar, para me reconstruir não basta desconstruir o que somos por fora, mas é necessário deixarmos de existir por dentro para depois recomeçarmos.



anexo:


 

grao a grao


SELECÇÃO E EXPLORAÇÃO DE UMA IDEIA

a) primeiras explorações gráficas








Fig. 1 - a forma esférica da base e as longas ‘penas de pavão’ no seu topo são uma representação da liberdade.





Aqui comecei a exploração de um núcleo redondo e de ‘penas’ longas’.









Fig. 2 – a liberdade tem consequências, delicadas e em equilíbrio.





Comecei a pegar nas texturas, continuando no entanto os núcleos redondos e os fios. Neste casos ‘folhas de esperança’.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
b) explorações gráficas com aguarelas







Fig. 3 – a liberdade é difícil perante o desconhecido. tem que ser pesada cuidadosamente, com cuidado para com estes fios de vidro.


As formas longas tornaram-se mais elegantes e dinâmicas, aumentando em quantidade também. 





 
Fig. 4 – o nosso interior pode ser completamente diferente do exterior. As aparências iludem muito.



Voltando a fortalecer a ideia de núcleo diferenciei-o muito do exterior através das cores.






 

 










c) estudos e ensaios






Fig. 5 – esta espécie de mão é a tentativa de sair da esfera que acaba por ser ela própria.




O núcleo altera-se. Torna-se maior e mais imponente, agora estes dedos disformes tomam um plano secundário.




 
Fig. 6 – aqui toda a fragmentação mental e procura de algo interior toma forma como um aglomereado de esguias formas envoltas em si mesmas.




Este ensaio já em plasticina é já uma forma pequena do que viria ser a minha peça final.
 
 
 
 
 
 
d) estudos da peça final
 








Fig. 7 – a base, o núcleo seria uma lastra enrolada como símbolo de um desconhecido escondido em si mesmo.



  Fig. 8 – a cobertura seguinte, também seguindo a técnica da lastra envolveria este núcleo, seria o aperto da dúvida.
  





Fig. 9 – já mais à frente, as lastras começariam a soltar-se numa esperança vaga.
 

 
 
 
 
Fig. 10 – este é o desenho final. aqui todo o pensamento está fragmentado sendo puxado para um interior desconhecido.