para finalizar as experiências com esta imagem resolvi colocar o texto completamente na horizontal com espaçamento. escureci mais a imagem e dei sombra fazendo como que uma ligação entre a imagem e o fundo escuro.
esta experiência tornou-se a minha decisão final.
sendo da minha autoria transmite algo completamente diferente, pois já é de uma dinâmica pessoal. o olho representa a visão cega, opaca perante o mundo. é uma visão desiludida.
o tom café da pele, o fio de cabelo em caracol, o tendão do pescoço são elementos humanos, simbologia da emoção. o manto azul como plano de fundo é uma falsa tranquilidade, um mar imprevisível.
ao o olho ser como que uma tatuagem marca o infinito, o para sempre.
e) paginação
como evolução da experiência de paginação anterior esta já possui dois lados mais definidos e com maiores contrastes limitando melhor o espaço do texto e o da imagem. o título atravessa esta separação tornando-se assim um factor de união e divisão. tal liga-se muito ao meu próprio conceito pois os paradoxos, as falsas divisões fazem parte dele.
SELECÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE UMA IDEIA
a) capa
escolhi esta imagem pois capta o lado sombrio da amargura e do fado.
através do conceito e da imagem cheguei a um ‘acordo’ com o título e com a frase.
ligam-se a um estado de vazio, de total exposição.
com o Photoshop trabalhei a imagem de modo a incorporá-la num ambiente sombrio, porém as tonalidades da imagem e do texto ficaram com tons esverdeados.
pretendi assim desenvolver a imagem de modo a não só realçar as tatuagens e as mãos como o título e a frase.
para terminar a experiência com esta imagem alinhei o texto de modo a criar uma decrescência.
espacei ainda as letras de modo a dar mais ênfase ao texto.
deste modo quis que a capa não só transmitisse sobriedade e crueza como uma sensação quase de minimalismo.
esta experiência tornou-se a minha decisão final.
sendo da minha autoria transmite algo completamente diferente, pois já é de uma dinâmica pessoal. é uma representação do meu conceito muito mais concisa.
mantive o título e a frase pois penso que continuavam a ligar-se perfeitamente ao conceito. esta fotografia tem um magnetismo diferente, frio e humano ao mesmo tempo.
b) fotomontagem
a partir desta imagem procurei um jogo claro/escuro, metal/pele, preto/dourado.
com este jogo quis transmitir não só uma falsa superficialidade do belo e brilhante como também uma ocultação do ser humano interior através da exibição do seu exterior.
na mesma linha de tons quentes em contraste com o preto aqui misturei o caótico com o calmo, o intocado.
como desenvolvimento do anterior procurei dar mais expressão à fotomontagem com a colocação de poesia visual; essa diz ‘luzes sossegadas’ numa alusão metafórica à tranquilidade e sensação de segurança que uma simples luz pode proporcionar num momento de medo ou tristeza.
c) poesia visual
‘não vadies por essas ruas da amargura’ trata-se de uma tradução quase perfeita do meu conceito, pois para traduzir uma sensação é sempre preciso mais do que uma palavra.
assim, com um retrato da velhice amargurada pelo receio do esquecimento é incorporada com o caos da ‘circulação de letras’, como que uma confusão de ideias, de desejos e contradições.
à semelhança do anterior explorei a organização caótica da frase numa direcção que se assemelha a estradas. ‘respiro fundo’ acaba por ser uma saída da exaustão, essa está bem enterrada no vaso do qual floresce esta amargura quão ácida e deliciosa como o vinho.
seguindo ainda o ‘caminho das frases’ aqui já há uma maior agitação gráfica graças ao próprio branco.
o tempo torna-se um destino do qual não se pode fugir e que nos tira tudo aos poucos e poucos.
demancha-nos muito subtilmente até nos deixar no mais silencioso dos vazios.
adoptando outra técnica(tira de jornal) mas continuando o caos das palavras aqui uma explosão contida ocorre. ‘perdi o juízo!’ torna-se assim uma tradução para esta explosão que estilhaça palavras sem sentido.
apesar de parecer nada ter a ver com os trabalhos anteriores tem tudo. fazendo parte de um processo criativo acaba por sintetizar o que antes foi feito.
técnicas completamente diferentes. significado absoluto:
‘mundos paralelos, mundos caídos’ é a sensação do amargurado, do triste, do vazio choroso.
d) paginação
a ideia de retorção, de caos foi sempre mais visível, mas numa paginação evita-se isso.
por isso procurei uma maior organização, porém na caixa de imagem já me libertei mais e deixei que formas menos usuais se criassem.
tratando-se de uma evolução do anterior segue mais ou menos as mesmas ideias. porém além de mais desenvolvido tem um encaixe visual diferente, com linhas mais estruturadas, torna-se mais apelativo e mais correcto
APRESENTAÇÃO FINAL
a) plano da acção
1. CONCEITO
2. CAPA
3. PÁGINA TIPO
4. FOTOMONTAGEM
5. POESIA VISUAL
1 - CONCEITO
este conceito vive da amargura. está remoído por todos os pensamentos fragmentos de um falso todo a que chamamos vida.a tristeza, a angústia provêm de todo o rancor que apodrece dentro de nós.
assim, todo o escuro que se torna uma repetição automática floresce numa nova forma. mas concreta e melancólica.
2 - CAPA
O título é pele nua.
O meu conceito resume-se a amargura. A amargura acaba por criar as mais variadas sensações e uma delas é o sentir-se vazio e exposto, exposto a um mundo, a pessoas que não quero que me vejam. E assim cheguei ao conceito de pele nua; é um estado puro, a essência que nos torna humanos, a textura mais doce que há.
Assim, não há necessidade de colocarmos mais camadas para nos afundarmos. limitarmo-nos ao vazio é o estado mais consciente que podemos atingir. sem receios.
Trabalhei sobretudo o olho, o contraste, a intensidade e a coloração da imagem.
Esta fotografia tem um magnetismo diferente, frio e humano ao mesmo tempo.
O olho representa a visão cega, opaca perante o mundo. É uma visão desiludida.
O tom café da pele, o fio de cabelo em caracol, o tendão do pescoço são elementos humanos, simbologia da emoção. o manto azul como plano de fundo é uma falsa tranquilidade, um mar imprevisível.
Ao o olho ser como que uma tatuagem marca o infinito, o para sempre.
3 – PÁGINA TIPO
texto:
(geral)
Nos três módulos os conceitos rodaram em torno do pensamento profundo e das emoções negativas(angústia, desconhecido, amargura).
Assim foram trabalhos que se desenvolveram com uma certa carga negativa, porém a cor muitas vezes criou um paradoxo entre estes dois mundos, estes dois pólos.
(módulo III)
Noto uma evolução bastante grande deste do primeiro módulo ao terceiro.
Os grafismos, as técnicas, a criatividade, a inovação, o traço, tudo alterou-se.
Assim, coloco uma fotografia e um desenho(exploração de ideias de cerâmica)como exemplo desta evolução.
O título é como que uma junção dos três conceitos e do trabalho já realizado. Tratam-se sempre de pensamentos complexos e terrivelmente humanos.
As imagens foram recortadas e ‘recoladas’, era uma ideia que já tinha há algum tempo, tendo-me inspirado na paginação da Parq Magazine.
4 – FOTOMONTAGEM
Escolhi esta fotomontagem porque apesar de ter sido a última foi a que me pareceu mais desenvolvida em comparação com as anteriores.
Fiz uma sobreposição de pedaços de revista sobre o próprio título criando uma zona de caos em contraste com a traquilidade que a imagem base transmite com a sua cor sépia, teias e pó.
‘luzes sossegadas’ é uma alusão metafórica à tranquilidade e à sensação de segurança que uma simples luz pode proporcionar num momento de medo ou tristeza.
5 – POESIA VISUAL
Em comparação com o ponto anterior também penso que este último trabalho foi o mais evoluído. Foi também o que mais me satisfez. Através do recorte do papel, cosi-o com fio e coloquei tinta no meio espalmando e fazendo uma falsa simetria. não utilizei qualquer tipo de colagem.
a poesia visual encontra-se no meio a preto dizendo ‘mundos paralelos, mundos caídos’, há assim uma alusão à simetria desigual. A fragilidade dos materiais o azul índigo remetem a uma tristeza doce amargurada.