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30.4.11

módulo IV - audiovisuais - semana 7


finalmente o filme.
sonho induzido por hipnose.
muitas portas se abrem para cada vez mais fundo de nós, confrontando-nos num jogo solitário.

3.4.11

módulo IV - audiovisuais - semana 6

MEMÓRIA DESCRITIVA
a) O QUE FOI PEDIDO

Tivemos como desafio o de abrir três portas dentro de nós e descrever o que lá encontrávamos. Assim, em vez de nos focarmos em apenas um ponto de vista de nós mesmos tivemos que pegar em nós e partimo-nos em três e daí em cada vez mais.

Neste módulo foi-nos pedido aa realização de vários raids, de modo a aprofundar ao máximo o nosso conceito levando-o assim às mais diversas interpretações e quase inconscientemente olhar de outras formas para o conceito que nós próprios construimos. Num primeiro explorávamos o nosso mundo, local ou nos formamos onde somos nós. Assim, explorávamos o que vemos, o que faz parte da visão, da sensações e significados, descobrindo então através da quantidade várias outras portas dentro de uma só parte de nós.

Num segundo raid seleccionámos uma dessas portas e voltámos a vê-la e revê-la nas coisas que já tinhamos visto, mas de um outro ponto de vista, dum ponto de vista mais concreto, com mais consciência do que procurámos.

O terceiro raid foi uma selecção das melhores imagens do segundo. Não por serem apenas boas fotografias ou por estarem ‘giras’ mas sim porque se aproximavam verdadeiramente do nosso conceito.

Foi-nos pedido também três retratos dessas três portas, cada porta, cada retrato seria um olhar sobre nós mesmos, mas numa representação que não necessitava propriamente de ser directa. Difere dos raids porque é um trabalho premeditado e revisto várias vezes para chegar a um resultado mais verdadeiro.

Como trabalho de grupo tinhamos de nos juntar em grupos de quatro e fazer uma curta-metragem de modo a representar em seis planos de uma cena as seis portas do nosso conceito de grupo. Uma vez que seria eu a editar o filme e não o Professor fizemos mais do que uma cena e muitos mais planos.

Assim, foi-nos basicamente pedido que através da linguagem audiovisuais passássemos o nosso interior para fotografia e para vídeo. Foi como que uma exposição visual de nós mesmos.









b) QUE RESPOSTA FOI DADA

O meu conceito sofreu várias alterações mantendo porém uma constante: o desassossego em que o meu coração e alma de mantém.

No primeiro ‘rascunho’ abri portas que me atiravam para o chão, para o escuro, onde no cliché do espelho apenas via partes de mim, memórias representadas por cicatrizes e sinais, noutra porta via apenas o meu corpo como pele sobre veias e batimento cardíaco, mas sem identidade. Tratando-se tudo de um sonho, que é o estado mais próximo de nós mesmos em que podemos estar, procuro-me a mim mesma, passando buracos e espelhos partidos sempre em busca de mim, representado pelo lado físico que transparece ao fim ao cabo o nosso interior. Apenas quando acordo descubro no reflexo turvo da água um reflexo disforme de mim, e fico felikz, fico aliviada por saber que tenho olhos com cor, mesmo que seja escura.

Como texto final a apresentar disse que o meu mundo era feito de desassossego e nele via outro mundo à minha frente no qual tinha que resolver os problemas que não eram os meus. Fazia parte de um espelho mas no meu intímo era uma prisão. Desconhecia o meu rosto, a cor da minha alma. Aos poucos fui enlouquecendo com toda aquela rotina delimitada por quatro paredes de areia derretida. Sentava-me em cadeiras procurando conforto num assento rugoso, no entanto só conseguia chorar mais. No limite gritava para com a minha própria sombra, procurava ironicamente o meu rosto no dos outros mas apenas os outros via. Nas feridas dos pés procurava uma pista da cor da minha pele. Tentava limpar a sujidade das minhas mãos, o pó das minhas unhas na esperança de ver o reflexo na superfície dura e opaca.

     Assim, através da ajuda de referenciais que me inspiraram, da pesquisa de outros trabalhos comecei a construção de um trabalho no qual me pudesse reflectir. No raid, como produto final obtive uma porta partida, de tinta lascada e cheia de pó que se chamava ‘decadência interrompida’, era uma porta para dentro do meu lado mais obscuro, mais triste e amargurado. Nesta porta podia ver as minhas memórias e imagens que não queria relembrar pois apenas me lembravam o meu coração morto, podre e suspenso no tempo na visualização destas imagens que eram a tradução de uma parte de mim que toda a gente tem e procura enterrar por debaixo da felicidade e dos sonhos em que deixei de acreditar a partir do momento em que conheci a dor e a crueza.

     No retrato procurei transmitir essas cadeiras onde chorava, gritava e enlouquecia. Fiz várias tentativas para fazer essa representação: através da imagem do homem humilde pensador, da jovem envolta no luto por si mesma, o punho a apertar uma folha escrita vendo-se os tendões e veias, a mulher de véu islâmico a chorar, as cicatrizes duma doença mortal na pele de uma criança, a rapariga de preto e cabelos ondulados a dançar com um lençól como que procurando libertar-se de si mesma e uma mão que procura o caminho, a luz.

     Em cinema o nosso conceito de grupo formou-se a partir do conceito individual de cada elemento do grupo convergindo entre si. Assim percebemos que a parte mais real em nós, a porta para a nossa verdade, para os nossos segredos mais intímos é o sonho. Através do sonho abrimos portas para os mais diversos eus. Ao entrarmos para dentro de nós mesmos limpamo-nos de nós mesmos, de toda a nossa sujidade. Jogamos contra o tempo, contra a memória, contra nós mesmos. Procuramos uma luz no tecto que nunca conseguiremos alcançar. Ficamos perdidos no vazio que temos no peito e acordamos. A linha entre a realidade e o que
é sonho, o absurdo e o usual é ténue. O cérebro já processa tudo como o coração, já não há pretos e brancos.



c) ASPECTOS DIGNOS DE REGISTO

O ‘livro do desassossego’ de Fernando Pessoa foi um livro que me inspirou muito para este módulo assim como a curta-metragem ‘contre-jour’ de Christoph Girardet e Matthias Müller.

O livro do desassossego é uma viagem interior do Homem no seu próprio desconhecido. Nunca se encontra verdadeiramente, mas descobre um mundo mais verdadeiro, ora complexo ora simples, ora cru ora doce.

“Mas o contraste não me esmaga – liberta-me; e a ironia que há nele é sangue meu” p.43

“Compreendo bem as bordadoras por mágoa e as que fazem meia porque há vida.” p.48

“Uma inteligência aguda para me destruir, e um poder de sonho sôfrego de me entreter...” p.49

Assim, o Livro do Desassossego fez-me reflectir de dentro para dentro, o que se reflectiu inevitavelmente no meu trabalho. Procurei precisamente nas minhas memórias mais profundas e nas dores mais violentas para abrir portas que se revelassem verdadeiras embora que duras.


A curta-metragem ‘contre-jour’ deixou-me extasiada com o jogo preverso entre a cegueira e a luz. O filme capta de imediato a atenção de uma pessoa e absorve-a completamente com aqueles flashes de caras de pessoas, o próprio som da bobina envolve a pessoa e quando damos conta já estamos a piscar os olhos e estamos entontecidos com as luzes, os movimentos das personagens, as vozes que perguntam se vemos e o grito de ‘luz!’. O filme é uma demonstração da luta do Homem contra o próprio avançar, com medo da Luz prefere a escuridão e só se limita a abrir e fechar os olhos nada mais vendo que figuras disformes, tornando-se ignorante da própria realidade.





d) CONCLUSÃO

Confesso que me descuidei mais no trabalho do Retrato dando quase toda a minha atenção à curta-metragem de que baptizámos de ‘Estado Quase Verdadeiro’.

No raid senti de facto uma grande liberdade de explorar o mundo que me rodeia e foi algo que fiz com alguma facilidade, começando a explorar técnicas de focagem, colocação do objecto, luminosidade, contraste, etc.

Podia ter abordado o retrato de uma forma menos premeditada, olhando para o meu trabalho e para o dos meus colegas parecem todos iguais pelo facto de não terem nada de natural realmente, nota-se em cada pormenor do meu trabalho a este nível que aquela mão tinha que estar ali, que tinha que ser aquela luz e aquela cor, que tinha que ser aquela mensagem. Acho que foi por isso que explorei tantas ideias para o retrato, não estava satisfeita com o resultado e assim continuo, infelizmente.

O filme foi uma forma de não só de me expressar a mim como explorar os meus colegas, a partir duma ideia, dum conceito, duma imagem, contruímos um portão para nós. Não nos limitámos a passar obviamente a ideia x, quisemos ir para além disso e tentámos chegar a outro patamar. Não queriamos que ficasse um mero trabalho tolo ou divertido, queriamos que ficasse de facto algo de nós, algo de que nos orgulhássemos. E fiquei contente com o resultado, acho que conseguimos o que queriamos.

1.4.11

módulo IV - audiovisuais - projecto - aula 5 - dia 1 de Abril

SUMÁRIO:
1. apresentações finais
2. edição do filme


1. apresentações finais
Do número 1 ao número 13 fizeram as suas apresentações orais nas quais falavam do seu conceito, mostravam o produto final do raid 3 e do retrato  e relacionavam-no com o primeiro através de um powerpoint simples. No final das apresentações os Professores fizeram uma avaliação deste módulo dos alunos que tinham apresentado recolhendo já alguns diários de projecto.



2. edição do filme
Comecei então a editar o filme do meu grupo. Já o tinha quase terminado, porém como tivemos que repetir algumas cenas tive que voltar a encaixar tudo. No final da aula já tinha o filme pronto, excepto a banda sonora, pois a música em que tinhamos pensado era demasiado curta para o filme, tendo este também excedido do próprio tempo proposto pelos Professores.




29.3.11

módulo IV - audiovisuais - cinema - aula 3 - dia 29 de Março de 2011

SUMÁRIO:
1. realização dos filmes

Repetimos algumas cenas e terminámos outras:








27.3.11

módulo IV - audiovisuais - semana 5

CONCEITO
a) conceito individual

1.
Adormeci e entrei em mim. A preto e branco me procurei no espelho sujo. O batimento frágil e intenso de meu coração ribombou em cada veia da cabeça, dos dedos. Arrepiei-me nua neste espaço vazio. Olhando-me não me vi. Não tinha cara, apenas pele exposta. Esse espelho de enganos estava coberto de mim, de sinais e de uma leve penugem, de pele macia e de brancura, de manchas e de cicatrizes. Chorei. Arrependi-me da entrega ao estado puro e cru.
Cai no negro, o ar acariciava-me as entranhas, os olhos e a boca, deixei-me levar. A minha cabeça ficou livre e leve. De novo enfrentei o espelho sujo. Uma veia palpitava-me do peito ao pescoço e daqui à têmpora. Mas parou, um aperto no coração perante o rosto sem eu. Gritei, gemi e lamentei.
Acordei e procurei o espelho que nunca tinha existido. Olhei-me na água fria e vi a lágrima e a palavra. Reflectida naquela agitação isenta de vida me encontrei. Ali era eu, eram os meus olhos escuros, a minha boca ferida, a minha língua seca.
Eu era o complexo humano, eu sou o desassosego.

análise: num primeiro ‘rascunho’ o espelho revelou-se uma porta demasiado evidente. Porém o sonho como uma porta para mim mesma já é uma porta mais disforme e menos comum. Este conceito é um medo de me perder, no meu sonho descubro que já não sei quem sou e procuro desesperadamente por mim mesma, encontrando em todos os espelhos meras imagens das minhas memórias e sensações e nunca algo que eu reconhecesse como uma característica física minha. Apenas quando acordo reconheço essas minhas características físicas, porém era no sonho que via realmente quem era, não é o meu corpo, a minha cor que define quem sou, apenas as cicatrizes que possuo podem contar em parte com o que o mundo me fez.


2.
O desassossego cria buracos na nossa cabeça, espaços à toa que flutuam sem saber o porquê.
Inquieta-me o olhar para uma pedra e não ver nada para além disso. Perturba-me ter deixado de observar fixamente uma pessoa que estava sentada à minha frente. Arrepia-me ler sem pensar e ter que voltar a trás porque estava abstraída.
Não é tristeza, não é ansiedade nem é ausência.
É a ambiguidade entre o que sou e o que serei.

análise: este pequeno texto trata-se de uma transição entre o conceito inicial e o final. é uma reflexão sobre o próprio conceito. Essas portas todas têm uma entrada e saída exactamente iguais: a ambiguidade. É neste estado em que realmente sou, porque ninguém é precisamente alguém, tem dois lados que se repartem em muitos mais. Uns mais salientes que outros mas temos muitos lados, somos humanamente ambíguos.


3.
Sou um espelho velho, sujo e mudo.
Quero sair desta superfície sempre fria criada por mil grãos de areia esquecidos. Reflicto tantos rostos, tantas almas que já desespero. Ando de um lado para o outro, sento-me nas cadeiras que me procuram sossegar sem resultado. Choro, grito e enlouqueço em cada uma delas. Não quero dizer mais mentiras aos velhos, não quero encostar minha testa à de outro adolescente triste e não quero observar outros mais. Toco no meu rosto e sinto as concavidades, as rugosidades e as feridas cuja cor nunca soube. Vivo apagada, ignorante de mim mesma podendo ver apenas as minhas mãos secas e meus pés imundos. Apenas uma sombra opaca e distorcida conheço como eu. Penso inconsciente, estou isolada do meu corpo desconhecido. E isso desassossega-me profundamente, entristece-me o coração não saber as ranhuras dos meus olhos tomando-os por meros círculos vazios.

análise: voltando ao cliché do espelho resolvi abordá-lo de outra maneira por sugestão do Professor Luís Conde, porque não ser o espelho? Não, não sou o espelho mas estou presa por detrás dele, faço o que ele faz mas por obrigação, e depois da eternidade, representar mil e uma personagens fez-me deixar de saber quem sou. Nunca sequer cheguei a conhecer o meu corpo pelo espelho, vivendo numa ironia permanente. Como já me perdi interiormente procuro desesperadamente o meu corpo sem qualquer sucesso. Abro então portas que não queria ter aberto pois apenas para um lugar escuro e vazio me levaram. Sento-me e choro, reconhecendo que perdi esta luta. Sento-me e grito, descobrindo a voz rouca e sem força. Sento-me e enlouqueço, quebro-me totalmente caindo então no chão e ficando realmente vazia por dentro.







b) conceito de grupo

Em nós existem muitos mundos. As portas que podemos abrir são imensas. Porém todas elas vêm de um núcleo comum: o sonho. É coisa estranha, bizarra e totalmente surreal mas genuína. É uma brincadeira azeda e sensorial. É uma zona neutra onde nos revoltamos contra nós mesmos. É um estado induzido pela hipnose do real. Torna-se o jogo viciado de que fugimos apesar de nos atrair pela profundidade da sua verdade.
Abre-se para as portas do surreal, do absurdo, do medo, da solidão, do desassossego e do tempo.
É o estado quase verdadeiro.


análise: abrimos todas portas para dentro do Homem. Mas é a procura, a fuga, o confronto, a descoberta, a contemplação e o tempo que vivemos dentro de nós. As portas inter-relacionam-se e interagem mesmo umas com as outras porque vão dar ao mesmo fim: a verdade.
 

25.3.11

módulo IV - audiovisuais - projecto - aula 4 - dia 25 de Março

SUMÁRIO:
1. explicação dos prazos de entrega e da apresentação final
2. exploração de ideias


1. explicação dos prazos de entrega e da apresentação final
O portefólio digital e o diário de projecto completo deverão ser entregues até quarta-feira, dia 6 de Abril.
A apresentação oral deverá ser algo simples que permita aos Professores e colegas perceber o conceito e a sua ligação com o resultado final. Assim, há pontos que têm que ser cumpridos:
  • a capa deverá ser uma 'introdução' ao trabalho;
  • o conceito deverá estar em tópicos;
  • o raid deverá conter entre 6 e 12 fotografias;
  • o retrato inclui apenas as três fotografias finais;
  • todos os slides deverão ter um fundo preto e ter um filete à volta das fotografias.


2. exploração de ideias
Continuei a minha exploração (gráfica) de ideias para o retrato e para o storyboard.



EXPLORAÇÃO DE IDEIAS
b) filme
b.2) storyboard individual



ideias para a primeira cena - aguarela e caneta preta de ponta fina sobre papel


ideia para a segunda cena - papel de revista, papel de saco, tinta da china e caneta preta de ponta fina sobre papel

22.3.11

módulo IV - audiovisuais - fotografia - aula 3 - dia 22 de Março de 2011

SUMÁRIO:
1. continuação da realização dos retratos
2. raid 2


1. continuação da realização dos retratos
Alguns colegas que não tinham conseguido terminar os retratos na aula passada continuaram nesta o seu trabalho. Porém eu já tinha os meus feitos, ao que ajudei alguns colegas meus no seu trabalho.


2. raid 2
Após ter ajudado na realização dos retratos eu e mais alguns colegas fomos pela escola tirar fotografias para o raid 2.







21.3.11

módulo IV - audiovisuais - semana 4

esta semana trabalhei sobretudo no raid 2, escolhendo a decandência interrompida como o subconceito a explorar.



SELECÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE UMA IDEIA

a) raid 2